Já faz tempo que na minha vida nada acontece. Antes ainda pensava em tirar aos governantes as pequenas aldrabices e fazê-las também, mas com esta coisa da crise é mais complicado. Cheguei á conclusão que é mais fácil ser-se Juiz. Ganha-se o mesmo e nem temos ninguém a chatear quando fazemos asneiras, porque nós é que mandamos! Além disso posso receber chorudas verbas dos grandes da massa e ainda lhes faço o favor de dar umas sentençasitas a rigor. Enfim, é uma forma de ir ganhando a vida sem me chamarem de corrupto nem de ladrão. Quando me chatiar de ofender os outros, passo pelas finanças, invento uma dividas aos contribuintes que só têm de pagar se não penhoro-lhes as coisas, e vivo á grande e á francesa como aquele que ganhava 30.000 euros mês para chular o povo - fora os cambalachos dos cartões de créditos ilimitados, carrinho e motorista á porta, mais um harem de guarda costas e o mais que agora nem me lembro.
Perdoem-me mas isto não era para dizer. A minha preocupação é maior. Ora bem, o governo quer um TGV para não ir a lado nenhum! então eu posso vender uns terrenozitos, por onde passa o dito cujo, por uma fortuna. Se o Almeidinha vai ficar bilionário com os terrenos que vai vender ao governo para constuir o aeroporto, comprados a cruzado pelo avô, eu também posso. Só por dizer que não fiz parte de parlamento nenhum... mas não faz mal. Oh Zézinho! Atão pá, não me convidas pó governo?
O que me chateia com a venda é os gajos quererem pagar com cheque. Vejam bem, com tanto cheque sem cobertor que prá aí andam, acham que vou aceitar um cheque do Zézinho? E se o gajo perde as eleições e se pira para o Dai Lama? Como é que recebo o dinheirote? É que depois vem a Manuela Leiteira dizer que essas contas eram do Zézinho e que eu faça contas com ele... Pois, e fico a arder. Ainda o Almeidinha recebe por transferência... Isso é cá uma sorte, hem?
Como podem ver ando num tremendo desespero! Já pensei até suicidar-me! Mas depois levo com uma fita verde plo focinho e estou no hospital mais de quatro horas á espera que o médico consiga ler o meu nome, pago uma fortuna, olha-me nos olhos com aquele ar de quem sabe tudo e diz:
- Porra homerm! Você quis mesmo matar-se!
Manda-me para casa e receita-me algum medicamento da moda com baixa por quinze dias. como a Caixa não paga todos, vou para casa á borlix! Isto é uma chatice... No estrangeiro dá gosto uma pessoa matar-se... é logo atendida pelo médico!
Alem do mais podia ter o azar de morrer e os funerais são uma careza! Tinha que pedir empréstimo bancário! mas como não sou das familias mais ricas do país, não sou gestor nem governante, nem roubei nenhum banco privado, recusavam-me o espréstimo. O que era uma chatice! Lá tinha que ir para debaixo dos torrões numa caixão de sabão! enfim, cada qual é enterrado como pode!
Mas mudando de assunto. Ainda ando a pensar nalgumas leis do desgoverno em que andam as edilidades por causa das eleições. Sei que a frase está confusa, mas eles também estão! A diferença é que quando se enervam desatam a esburacar o país em tudo o que é sitio. Será que pensam que por debaixo das pedras e do alcatrão está entrerrado algm cofre? É que se houver também quero...
Bom sobre as leis falarei depois porque preciso de me deitar sobre elas primeiro. É uma questão de... filosofia!
António Casado